Adolescentes, quais as principais questões no cuidado e os benefícios da terapia?
- Leonardo Del Paggio
- 9 de fev.
- 2 min de leitura
A adolescência é uma fase do desenvolvimento marcada por intensas transformações biológicas, emocionais, cognitivas e sociais. Essas mudanças podem gerar conflitos internos, dificuldades de adaptação e sofrimento psíquico, tornando a busca pela terapia comportamental uma estratégia importante de cuidado em saúde mental.
Um dos principais motivos que levam adolescentes a buscar terapia comportamental é a dificuldade no manejo de emoções intensas. Ansiedade, irritabilidade, tristeza persistente e oscilações de humor são comuns nessa etapa da vida e, quando não elaboradas adequadamente, podem impactar o desempenho escolar, os relacionamentos e a autoestima. A terapia comportamental auxilia o adolescente a reconhecer padrões de pensamento e comportamento disfuncionais, promovendo estratégias mais adaptativas de regulação emocional (Beck, 2011).
Além disso, muitos adolescentes enfrentam desafios relacionados à pressão social, acadêmica e familiar. A busca por pertencimento, a influência das redes sociais e as expectativas de desempenho podem contribuir para o aumento de sintomas de ansiedade e estresse.
A terapia comportamental oferece ferramentas práticas para o desenvolvimento de habilidades sociais, resolução de problemas e enfrentamento de situações estressoras, fortalecendo a autonomia e o senso de competência do adolescente (American Psychological Association, 2017). Esse processo também é amplamente indicado no tratamento de transtornos mentais comuns na adolescência, como transtornos de ansiedade, depressão, transtornos do comportamento e dificuldades de controle de impulsos.
Outro fator relevante é o impacto da terapia no desenvolvimento da identidade e da autoestima. Durante a adolescência, o indivíduo constrói valores, crenças e a percepção de si mesmo. A terapia comportamental contribui para o fortalecimento da autoeficácia, ajudando o adolescente a compreender a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, favorecendo escolhas mais conscientes e saudáveis.
Por fim, ao proporcionar um espaço estruturado, acolhedor e baseado em evidências, a terapia comportamental atua não apenas no tratamento do sofrimento psíquico, mas também na promoção da saúde mental e na prevenção de problemas futuros. Conforme destaca a Organização Mundial da Saúde, intervenções psicológicas precoces durante a adolescência são fundamentais para o desenvolvimento saudável ao longo da vida (WHO, 2022).
Referências bibliográficas
AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Understanding psychotherapy. Washington, DC: APA, 2017.
BECK, J. S. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2011.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). World mental health report: transforming mental health for all. Geneva: WHO, 2022.



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